10 de novembro de 2007

Quando os famosos se apaixonaram

O tempo passou e a indústria da moda foi adotando o Jeans em suas linhas de produção. Mas o dito ainda não havia virado revolução. Isso veio a acontecer a partir da década de 1950, quando os queridinhos do cinema, do rádio e TV começaram a adotar a peça como uma segunda pele. Ao vê-lo colado nas pernas de Elvis Presley, Marlon Brando, James Dean, Marilyn Monroe, a turma da saia rodada, do sapatinho de verniz e da calça social pirou. O que era aquilo? No requebrado do rei do rock, parece que a criação de Strauss tomava um novo sentido. Na dança dos quadris de Elvis havia algo místico-mágico-religioso, que levaria adolescentes de todas as idades à beira de catarse pessoal. Os beatniks adotaram, assim como os rockers e mais tarde todo mundo. E olha que eles nem imaginavam que o que estavam fazendo. Que a própria calça que usavam se tornaria uma espécie de símbolo daquilo tudo, levando a humanidade a repensar uma série de conceitos e comportamentos.

Depois disso, o mundo jamais seria o mesmo. Vieram os Beatles, Bob Dylan, Jimi Hendrix, Janis Joplin. Veio Woodstock e os outros festivais de paz e amor. Vieram existencialistas, hippies, progressivos, punks, yuppies, darks, new wave, pós-modernos... E todos embarcaram na mesma onda - vestidos de jeans, claro. No Brasil, acontece a mesma coisa. Somos o segundo mercado de jeans no mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos.

Uma questão de cor e origem

"Índigo blues... Índigo blue jeans". A canção de Gil faz referencia à cor mais famosa da peça criada por Strauss. Mas, quem disse que foi sempre assim, que o jeans sempre foi azulzinho? No início, as calças eram feitas com lona de barraca e não havia muita variedade de modelos. Apesar de resistentes, não havia preocupação com o estilo. Assim, os modelos ficavam entre algo marrom e bege. E eram duros demais. Strauss, sempre preocupado com a opinião da clientela, pesquisou e encontrou um tecido melhor.
Produzido com algodão, o que parecia uma espécie de sarja ou estopa bem trançada, era na verdade brim, mais resistente e, ainda assim, mais flexível. O local de origem desse tecido acabou por nomeá-lo: Nîmes, cidade francesa. Daí, Denim, uma corruptela do francês De Nîmes. A cor azul veio por conta de mais uma moda de Strauss. O alemão sabido resolveu tingir o brim de Nîmes com uma plantinha chamada Indigus, que continha na sua raiz um forte corante capaz de dar ao tecido, originalmente branco, aquela cor que ficou universalmente conhecida.
Já o nome, Jeans, vem de outro canto, mais precisamente de Gênova, cidade portuária da Itália. Desde o século XVI que os marinheiros genoveses se referiam às calças que usavam para exercer seu ofício pelo apelido carinhoso de Genes. Experimente agora falar essa palavra com o sotaque italiano. Percebeu de onde veio a palavra mais famosa da moda?

Levi Strauss,James Dean e o Casual Day

Por volta do ano de 1850, auge da corrida do ouro e conquista do oeste americano, vários mercadores aproveitavam o trabalho nas minas e de exploração, como ferramentas, mantimentos, roupas e lonas.
Entretanto, o mercado para este tipo de produto estava extremamente saturado, pela oferta de lonas por praticamente todos os mercadores.
Com um grande estoque de lonas e sem conseguir mercado para as mesmas, Levi Strauss passou a procurar outra aplicação para o produto. Ele observou que devido a grande exigência física no trabalho das minas, os mineradores tinham que substituir freqüentemente as roupas utilizadas, o que levava-os a um grande gasto.
A fim de realizar uma experiência, Levi Strauss confeccionou duas ou três peças reforçadas com a lona que possuía, disponibilizou-as aos mineradores e o sucesso foi imediato. Devido a alta resistência das peças, as mesmas não se estragavam com facilidade e proporcionavam uma durabilidade muito maior.
Estava criado o jeanswear, o estilo reforçado de confecção, o qual foi originalmente destinado a roupas de trabalho.
A partir de então, cada vez mais os trabalhadores utilizavam o jeans para exercer suas tarefas mais árduas e de exigência física.
Entretanto, o jeans só passou a ser utilizado no dia-a-dia, já no século XX.
Com o surgimento no cinema, encabeçados por James Dean e Marlon Brando, a roupa começou a associar-se ao conceito de juventude rebelde conquistando este público.
A partir daí, o jeans só chegou a conquistar o restante da população após a proliferação social do seu conceito como roupa despojada e do cotidiano, sem perder seu charme e elegância. Consagravam-se os gigantes do Jeans, como Levi's, Lee e Mustang.
O primeiro estilista a colocar o jeans na passarela foi Calvin Klein, já na década de 70, causando choque e indignação aos mais conservadores. Esta atitude, no entanto, foi logo seguida pelos demais e o jeans definitivamente conquistou seu espaço na sociedade.
Observa-se uma proliferação cada vez maior do conceito jeanswear em se vestir, devido principalmente a comodidade e praticidade, aliadas a fácil manutenção numa época em que estamos cada vez mais sem tempo livre e qualquer facilidade proporcionada torna-se fundamental.
Percebe-se também a introdução e continuidade do jeans nos ambientes de trabalho mais formais, em escritórios, como grandes empresas e instituições financeiras, principalmente após a instituição da sexta-feira como o "Casual Day" e muitas vezes a abolição total da obrigatoriedade do uso de terno e gravata.